terça-feira, 20 de maio de 2014

SPORT CAR: VOLVO XC60 GANHA NOVO MOTOR 2.0 DRIVE-E


VOLVO XC60 GANHA NOVO MOTOR 2.0 DRIVE-E
 Marca sueca lança novo conjunto mecânico para o XC60 T5
 para se desvencilhar um pouco mais do passado Ford
 por FERNANDO MIRAGAYA 

 Volvo XC60 Drive-E (Foto: Divulgação) 

Aos poucos, a Volvo se desfaz dos laços remanescentes com a Ford. O passo mais recente neste sentido foi a adoção de um motor quatro cilindros e de uma caixa automática em sua linha 60 – que chega agora ao Brasil. O novo conjunto fará as honras das versões T5 da marca sueca, hoje controlada pela chinesa Geely.

Ao testar o XC60 com as novidades, a primeira constatação é que nem tudo é perfeito. O utilitário esportivo médio pode até ter se livrado do propulsor Ecoboost e do câmbio de seis velocidades anteriores, mas as amarras do passado ainda perseguem o SUV: o modelo é produzido na Bélgica sobre a plataforma do... Ford Fusion!


 Melhor abafar este detalhe e ver o que essa “autoafirmação” do XC60 trouxe de melhorias. De primeira, pode-se afirmar que esse novo propulsor da linha Drive-E, desenvolvido pelo fabricante escandinavo, consegue ser melhor que o antigo conjunto. Méritos (e muito) também para a caixa Aisin, de oito marchas. O XC60 já era um carro muito bem acertado e com uma boa pegada dinâmica, mas nas arrancadas com a atual versão R-Design (de salgados R$ 193.950) qualquer sentimento saudosista some na velocidade do asfalto que fica para trás.

 Volvo XC60 Drive-E (Foto: Divulgação)

A avaliação começa na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, em direção a Mangaratiba, na Costa Verde fluminense. Tudo leva a crer que serão 200km de diversão garantida. Nas arrancadas, o motor turbo de quatro cilindros impressiona – isso mesmo, agora o número do T5 não determina mais a quantidade de cilindros; é uma alusão à potência. Os 245 cv emprestam disposição de sobra para o SUV na pista que corta o litoral da Barra e do Recreio dos Bandeirantes. E olha que esse mesmo bloco Drive-E serve às versões topo de linha T6, com 3,0 litros, seis cilindros, turbo e um compressor que resultam em 306cv. Há ainda espaço para um turbodiesel europeu com 181cv.

É a prova da versatilidade do motor. Compacto e de alumínio, o propulsor mantém o mesmo virabrequim, cárter e bomba de óleo. O turbo trabalha integrado ao coletor, prometendo maior admissão do ar e menor dissipação de calor (ou seja: perda de energia). Desta forma, este bloco consegue ser modular para lidar com diferentes potências e combustíveis – a Volvo diz que pode até integrar um conjunto híbrido. E ainda segue a receita dos componentes com menos atrito.

Com isso, o  Drive-E 2.0 é 22kg mais leve que o anterior Ecoboost 2.0. A potência nem subiu tanto (eram 240cv), mas o torque máximo, além de maior (35,7kgfm contra 32,6kgfm), chega mais cedo, nas 1.5000rpm. E isso faz uma diferença... Nas ultrapassagens na BR-101 na altura de Itaguaí, é só pisar que o motor enche rápido e o turbo entra em ação. O XC60 deixa os caminhões para trás. Nas subidas, é possível trabalhar em uma ampla faixa de giros para deixar o utilitário sempre aceso.

 Volvo XC60 Drive-E (Foto: Divulgação)

De nada adiantaria tanta disposição com um câmbio vacilante. Aí entra em ação a ótima transmissão Geartronic, com oito velocidades. A agilidade das mudanças é impressionante e contribui para a agilidade do XC60 T5. Mesmo quando parece que vai vacilar, a caixa da Aisin é esperta. Tentativa de pegadinha para cima do Volvo em um momento de estrada vazia, a velocidade diminui de 100km/h para 70km/h e, então, pé fundo no pedal direito. Em fração de milésimos de segundos, o câmbio reduz, engata a marcha apropriada e só um tranquinho nos serve de testemunha.

Nas curvas da estrada de Santos (calma, Roberto, não é uma biografia da sua vida), o XC60 T5 me faz lembrar, sim, do passado... só para confirmar como é um SUV equilibrado. Apesar das dimensões parrudas, com 4,64m de comprimento, 1,71m de altura e mais de 1.800kg, obedece aos comandos e a carroceria oscila muito pouco para os padrões de um utilitário. E olha que o T5 usa tração dianteira (4x4 só nas T6). A suspensão tem uma calibragem que ajuda no desempenho mais arisco. Em velocidade de cruzeiro, absorve bem os incompreensíveis calombos no meio das curvas da BR-101 na altura de Muriqui – em baixa velocidade, contudo, sacoleja muito nos buracos da cidade. As freadas mais bruscas são igualmente elogiáveis e a frente não mergulha.

 Volvo XC60 Drive-E (Foto: Divulgação)

Outra característica que impressiona é o silêncio a bordo. Além do isolamento acústico eficiente, o motor roda suave e liso. A 110km/h, o ponteiro do conta-giros está abaixo das 2.000 rotações. Tal comportamento contribui para o consumo. O computador de bordo marcou 8,8km/l no uso misto do test drive. Mas a Volvo promete 8,0km/l na cidade e 11,1km/l, na estrada, valores que já foram computados pelo Inmetro para o programa de etiquetagem veicular.

Volvo XC60 T5 Drive-E

Origem: Bélgica

Preços: R$ 162950 (Dynamic) e R$ 193.950 (R-Design)

Motor: Dianteiro, a gasolina, quatro cilindros, 16V, turbocompressor, injeção direta, 1.969cm³

Potência: 245 cv a 5.500rpm

Torque máximo: 34,7kgfm a 4.800rpm

Transmissão: automática de oito marchas com opção de mudanças sequenciais.

Tração: dianteira

Suspensão: Independente McPherson na dianteira e independente multibraço atrás

Freios: a disco nas quatro rodas

Dimensões: 4,64m de comprimento, 1,89m de largura,  1,71m de altura e 2,77m de entre-eixos

Peso: 1.833kg

Porta-malas: 490 litros / Tanque: 70 litros 

Vale lembrar que o XC60 ganhou, na carona do conjunto, a função start/stop. Só que promete economizar mais 5% de combustível com a opção Eco+, que faz trocas de marchas mais ponderadas, suaviza as respostas ao acelerador e desacopla o compressor do ar-condicionado quando o equipamento estiver desligado. Nessa função, ainda tem o modo Eco Coast. Nas descidas, em velocidades acima dos 65km/h e sem o pé no acelerador, o sistema desengata o freio motor e faz a rotação cair para a marcha mais lenta. Mal e porcamente comparando, funciona como se estivesse em ponto morto...

O divertido, porém, é tirar proveito da pegada mais empolgante do novo Drive-E. E é possível deixar o clima mais quente ao colocar o seletor do câmbio na posição Sport. O conta-giros sobe discretamente e o XC60 revela que pode ser mais arrojado. O motor estica as marchas, mas isso não significa que as passagens fiquem mais demoradas. Pelo contrário: o XC60 consegue ser mais ágil no modo “S” do que no “Drive”.

A sede aumenta um pouco: o computador de bordo passa a marcar 7,4km/l. O porém vai mesmo para a conta da direção com assistência hidráulica. Ao pisar forte, pequenos golpes são sentidos no volante. Nada que desmereça o SUV, que esbarra mesmo é no preço. O XC60 T5 partede  R$ 162.950 na versão Dynamic, já com aquela penca de itens de segurança típicos do fabricante: quatro airbags, controles de estabilidade, City Safety, bancos com sistema anti-efeito chicote, entre outros.

Mesmo assim, é bem mais barato que o BMW X3 “de entrada”, que parte dos R$ 214.950 (xDrive20i). Mas a R-Design fica próxima do estiloso Range Rover Evoque, que na configuração Pure quatro portas, tem preço de R$ 191 mil. A R-Design tenta justificar os quase R$ 30 mil a mais com alguns itens. Entre eles, o sistema multimídia com tela de 7”, Bluetooth, DVD, GPS e câmera de ré, além do pacote visual, que inclui rodas com aros de 20”, teto solar e vários detalhes de alumínio.

O moto Drive-E também se propaga no restante da linha de médios da Volvo. O S60 T5, só na configuração R-Design, parte dos R$ 157.950. Já a station wagon V60 T5 R-Design custa R$ 162.950. A propósito, os dois ilustres modelos também usam a plataforma Ford. O passado ainda vai perseguir a marca sueca por algum tempo.

Fontes: AutoEsporte

 








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