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SPORT CAR: AVALIAÇÃO: PEUGEOT 2008 1.6


AVALIAÇÃO: PEUGEOT 2008 1.6

Com preço a partir de R$ 67.190, SUV só fica interessante para compra a partir da versão THP Griffe. Confira nosso teste: por GIULIA LANZUOLO 

 

 

Depois do Honda HR-V e do Jeep Renegade, chega ao mercado mais um competidor inédito para a fatia de utilitários compactos. Se a coisa já estava feia para o Ford EcoSport, agora piorou. Produzido na planta da Peugeot em Porto Real (RJ), o novo 2008 chega às lojas como o modelo automático mais acessível de seu segmento, além de um pacote respeitável de equipamentos.

Serão duas motorizações disponíveis: 1.6 turbo flex de 173 cv com transmissão manual de seis marchas ou 1.6 aspirado flex de 122 cv com câmbio automático de quatro velocidades ou mecânico de cinco. Aceleramos os dois extremos da gama: a versão de entrada, Allure, de R$ 67.190 (122 cv e câmbio manual de cinco marchas) e a topo de linha, Griffe THP (173 cv e câmbio manual de seis marchas), de R$ 75.590. Confira se o novo crossover da Peugeot vale a compra.

Impressões gerais

A montadora francesa estima que 70% de suas unidades emplacadas sejam de versões com câmbio automático. A topo de linha, Griffe THP, somará apenas 10% do mix de vendas. É só nessa configuração que o 2008 entrega sua maior aptidão diante dos concorrentes: a esportividade. Graças ao turbo de alta pressão, os 24,5 kgfm de torque chegam cedo, a 1.750 giros, e se mantém numa linha estável. Os 173 cv de potência, por sua vez, são disponíveis por inteiro a 6 mil giros.


Não precisa nem falar mais nada. Entre HR-V, Renegade e EcoSport, ele foi o que fez o melhor tempo de 0 a 100 km/h: 7,8 segundos. Segurança para ultrapassagens, não falta. Emprestado do DS3, hatch apimentado da parceira Citroën, o câmbio de seis marchas tem engates justos e curtos. O casamento é bom, porém não perfeito. A 120 km/h, o ponteiro das rotações estaciona na casa dos 2.500 rpm, uma boa marca, mas o ruído provocado pelo vento e pelos pneus incomoda bastante. 

Ainda que tenha bitolas parecidas, só não é um DS3 Wagon pela altura maior, sem falar que o hot hatch se vale de pneus mais agressivos na medida 205/45 R17 contra 205/50 R16 do crossover. Ainda assim, tocar o 2008 THP flex com gosto é sempre um desafio ao controle de tração, que tem dificuldade de cortar a força antes das rodas girarem em falso. 

Para quem não busca tanta emoção ao volante (será que algum consumidor de SUVs compactos busca?), a versão Allure, equipada com motor 1.6 aspirado, também dá conta do recado. Os 16,4 kgfm de força são entregues a 4 mil rotações, enquanto os 122 cv de potência chegam a 5.800 giros. O desempenho é honesto e, embora tenham cursos mais longos, os engates do câmbio de cinco marchas são igualmente precisos. Só que nessa configuração, o bloco sem turbo leva com frequência as rotações acima dos 3.500 rpm, agravando o incômodo acústico.

Confortável, a suspensão absorve bem as irregularidades do solo. O que não é muito confortável é o espaço para quem vai atrás. Com 2,54 metros de entre-eixos, o crossover é mais apertado que o Renegade, de 2,57 m e dá conta de quatro ocupantes. Sem falar no HR-V e seus 2,61 e o Renault Duster, o maior de todos os compactos com 2,67 m. Em compensação, o porta-malas abriga bons 394 litros, aferidos pela Autoesporte. Uma mala a menos que os 462 litros, também aferidos, do HR-V e bem melhor que os 283 l do Renegade.
 
Custo benefício

Uma das estratégias do 2008 para conquistar consumidores é vir bem equipado de série. Degundo Miguel Figari, diretor geral da montadora, essa tática deve se estender a todos os modelos da marca no Brasil até o final deste ano. De fábrica, o novo crossover vem com ar-condicionado automático digital duas zonas, direção elétrica, volante em couro, rodas de liga leve 16 polegadas, quatro airbags, luzes diurnas de LED, faróis de neblina, sensor de estacionamento traseiro, piloto automático, trio elétrico e sistema multimídia touchscreen de sete polegadas com GPS.

O pacote é competitivo, mas carece de itens de segurança presentes nas versões mais básicas de alguns concorrentes, como controles eletrônicos de tração e estabilidade, que são oferecidos apenas na versão topo de linha, a Griffe THP. Também é nela que o consumidor encontra o Grip Control, sistema que age nas rodas dianteiras para otimizar a tração em condições de baixa aderência e pode ser adaptado para cinco tipos de situações: areia, lama, neve (pista escorregadia), normal ou controle de tração desligado. De qualquer forma, itens como airbags laterais e controles eletrônicos não são oferecidos no 208, uma boa evolução face o compacto que lhe deu origem.


Somado à boa distância do solo de 20 cm, a ideia é que Grip Control permita que o 2008 enfrente alguns terrenos fora de estrada mesmo sem a tração 4x4, ao moderar a intensidade de aceleração e a programação do câmbio. Mas não se iluda: o crossover só consegue superar solos aprazíveis. Em situações severas, o desempenho é bem diferente de um utilitário de tração integral. Passamos por um percurso de areia e, mesmo selecionando o modo correto do Grip Control, o crossover ficou bem instável em velocidades na casa dos 40 km/h, saindo de traseira. Se você quer emoção ao estilo cross-country, pode ser a sua. Agora, se o seu objetivo é virar um trilheiro de final de semana, não leve o leão para casa.
 
Vale a compra?

O Peugeot 2008 vale a compra na versão THP Griffe, de R$ 75.590, que oferece uma dose de esportividade e mais segurança, já que é a única equipada com controles de tração e estabilidade. Vale lembrar que desde a versão de entrada o crossover tem um pacote respeitável, mas concorrentes como Renegade e HR-V oferecem os controles eletrônicos em toda a linha, uma garantia a mais de segurança dinâmica. O preço de manutenção dessa versão está próximo do EcoSport: R$ 1.556 pelas três primeiras revisões, e consumo regular fica em 7,8/11,4 km/l de etanol (aferido por AE). Quem quiser um câmbio automático, terá que ficar com o automático de quatro marchas, que apesar de ser mais acessível do segmento, é ultrapassado em relação aos concorrentes.

Ficha técnica

Motor: Dianteiro, transversal, 4 cilindros em linha, 16V, comando simples, turbo, injeção direta, flex ou dianteiro, transversal, 4 cilindros em linha, 16V, comando simples, injeção direta, flex
Cilindrada: 1.598 cm³
Potência: 173/165 cv a 6.000 rpm ou 122/115 cv a 6.000 rpm
Torque: 24,5 kgfm a 1.750 rpm ou 16,4 kgfm e 4.000 rpm
Transmissão: Manual de seis marchas ou manual de cinco marchas/automático de quatro
Direção: Elétrica
Suspensão: Independente, McPherson na dianteira eixo de torção na traseira
Freios: Discos ventilados na frente e rígidos atrás
Pneus: 205/60 R16
Dimensões: Compr. 4,159 m, largura 1,739 m, altura 1,583 m, entre-eixos 2,542 m
Capacidades: Tanque 55 l, porta-malas (aferido Autoesporte) 394 l, peso 1.231 kg (Griffe THP) ou 1.183 kg (Allure)

Números de teste (para versão Griffe THP)

Aceleração 0-100 km/h: 7,8 segundos
Aceleração 0-400 m: 15,9 segundos
Aceleração 0-1.000 m: 28,8 segundos
Retomada 40-80 km/h (3ª marcha): 4,9 segundos
Retomada 60-100 km/h (4ª marcha): 6,3 segundos
Retomada 80-120 km/h (5ª marcha): 8,5 segundos
Frenagem 100 km/h: 43,9 metros
Frenagem 80 km/h: 28,3 metros
Frenagem 60 km/h: 16,1 metros

Consumo (etanol)
Urbano: 7,8 km/l
Rodoviário: 11,4 km/l


Fontes: Autoesporte
Fotografias: Peugeot 2008 (Foto: Divulgação)



 









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